terça-feira, 13 de setembro de 2011

Fundamentos epistemológicos das Ciências Naturais


[Notas de leitura]


1. Os primeiros métodos de ensino de Ciências Naturais, observando os pressupostos filosóficos, podem ser discutidos como os responsáveis por fundamentar as bases epistemológicas das quais os povos mesopotâmicos, indianos e egípcios – pela observação – indicaram os caminhos para nossa evolução, nosso atual estágio. Um longo percurso de intercursos dinâmicos, diria.
1.1 Da observação, por questionamentos e indicações de Aristóteles (e outros, nos intercursos), a partir das perspectivas do mundo greco-romano, foram construídos e formulados os chamados “métodos racionalistas”, cujas bases epistemológicas estavam centradas no pensamento e, posteriormente, na experimentação, possibilitando, assim, as primeiras classificações aristotélicas.
1.2 Nestas acepções, a ciência estava restrita a grupos ou pessoas. Com a delimitação de fronteiras entre a Filosofia e a Ciência, basicamente durante o século XVIII, Rousseau, em sua obra Emílio ou Da educação, ousou propor que a ciência fosse “popular”, devendo-se alargar os métodos.
1.3 Nos percursos filosóficos, desde o início, ficou evidente uma necessária relação intrínseca entre ensino e pesquisa que, no itinerário dos séculos, ora foi enfatizada ora negada. Hoje urgente e primordial para os avanços científicos.


2. As mudanças nos contextos históricos propuseram a evolução dos métodos no ensino de ciências. Esta assertiva, assim, vem acompanhada de outras que confirmam a historicidade dos métodos e das teorias que “sustentam” ou “derrubam” os métodos, técnicas e abordagens no ensino de ciências. Os princípios que legitimam uma ciência ou processo científico são histórico-culturais.
2.1 No Brasil, a “dissociação pesquisa-ensino”, com formação mínima para os professores atuarem com investigação científica corrobora para o entrave, impedindo os avanços científicos e a evolução de métodos.


3. Considerando os principais métodos de ensino de Ciências Naturais, podemos concluir que todos partem de movimentos históricos. Assim, dentro das “tendências” ou “correntes” seja tecnicista, seja escola-novista ou seja integracionista (e tantas outras), fundamos os processos metodológicos que ora diversos ora são específicos, mas todos em constante evolução. Aliás, os métodos, no tempo, evidenciam ideologias e posicionamentos políticos.
3.1 No universo da Educação Infantil podemos falar de várias possibilidades metodológicas, dependendo das opções políticas e institucionais dos professores e escolas. No entanto, acredito que a Educação Infantil exige especificidades e também o conhecimento das diversidades metodológicas, cujos professores/escolas devem assumir na prática. Assim, os métodos não são, a priori, nem adequados nem inadequados.


4. Partindo da premissa de que “no Brasil nunca tivemos uma tradição científica”, podemos afirmar, em consequência, que as Ciências Naturais estiveram à margem dos processos educativos. No período do Pós-Segunda Guerra, com os resultados, o mundo ocidental resolveu voltar aos projetos industriais e de investimento tecnológico. Neste ínterim, o currículo escolar começa a sofrer mudanças mais sérias e profundas, quase todas de cunho impositivo.
4.1 Neste contexto, começa a se construir os primeiros itinerários científicos no Brasil, construindo-se pontes entre processos de investigação. No Nordeste brasileiro, temos avançado bastante, não o suficiente, claro, mas os sinais dos avanços são bem visíveis. No entanto, acredito que o maior entrave ao desenvolvimento científico nesta região seja a dissociação, ainda presente, entre ensino e pesquisa.

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